De regresso a Lisboa. Dois dias a passear por Lisboa, Mafra e Ericeira. É sempre interessante passear como turista no nosso país, na nossa cidade.
Ao terceiro dia, descansei. Agora que vou dormir, penso que hoje passei a tarde a saborear elementos que já não fazem parte do meu viver quotidiano: deitado no "sofá", a ver "televisão", e à noite jantar e ver o jogo do benfica com a minha "família".
À tarde, estava a dar o "´Sound of Music" na RTP memória, e deixei-me ficar a ver. Pela minha mente, constantemente, passava a ideia de que estava a ver algo que não faz já parte deste mundo em que vivemos. Para a minha sobrinha acabada de nascer, aquele filme não passará de um alienigena achado arqueológico.
Como não tenho mais bateria e é dificil explicar porquê, fico-me, por agora, por aqui.
Sunday, 7 March 2010
Sunday, 28 February 2010
Manhãs de Domingo
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
Saturday, 20 February 2010
Ele brilha!
As temperaturas máximas para toda a semana são positivas, e as mínimas tornam-se positivas a partir de terça! Hoje, o Sol brilha no céu e vêm-se muitos espaços azuis entre as nuvens, coisa há muito esquecida!
E a visita ensolarada do grande Bernardo Vasconcelos que faz tão bem.
E a visita ensolarada do grande Bernardo Vasconcelos que faz tão bem.
Wednesday, 10 February 2010
Obrigado, Pacheco Pereira!
Muito, muito importante ouvir isto, em especial a partir do quarto minuto. Aquilo que é óbvio ser dito, mas que faltava ser dito, muito bem articulado e estruturado, tudo aquilo que tem passado pela minha cabeça nestes dias.
Sunday, 17 January 2010
Entre mundos...
Hoje, à saída da biblioteca, fui comer qualquer coisa com um amigo libanês e outro americano (eles não se conheciam); sentados à mesma mesa, num diálogo não extraordinariamente fluido, mas normal.
O Obama ganhou o prémio Nobel da Paz por muito menos... (e muito jeito me dava o dinheiro agora...).
O Obama ganhou o prémio Nobel da Paz por muito menos... (e muito jeito me dava o dinheiro agora...).
Coimbra e Zeca Afonso
Esta noite não paro de escrever, mas tenho ideias acumuladas na cabeça destes últimos tempos, ou então simplesmente apetece-me, ou então estou farto de econometria.
Já não vou a Coimbra para aí desde que tenho 12 anos ou coisa assim. Vergonha, e agora ainda mais, com tantos ex-alunos de Coimbra de quem gosto tanto.
Coimbra deve ser, sem dúvida, uma cidade muito especial. Recordar-me-ei sempre de uma noite, na festa do Avante, onde fui com um bom amigo que o rio do tempo deixou para trás numa qualquer margem. Telefona-me: queres ir ao Avante hoje à noite? Ok, embora, mas como entramos, e onde dormimos? não interessa, logo se vê, ok vamos embora" e lá fomos.
A primeira noite foi divinal, e dormimos junto ao lago, lá em baixo, debaixo de um saco de cama de alguém. Só se podia comprar à noite bilhete para o fim de semana todo, portanto ficámos também Sábado. Mas perdemo-nos na confusão, e nenhum dos dois tinha telemóvel na altura. Fiquei sozinho na festa, e não mais o vi.
Nessa noite, quando todas as barraquinhas já tinham fechado, o que acontecia relativamente cedo, chego-me à barraca de Coimbra onde ainda se cantava noite fora, numa atmosfera verdadeiramente excepcional. Ali me sentei num canto, a ouvir baladas de Coimbra umas atrás das outras, numa atmosfera de verdadeira magia.
Zeca Afonso canta essa magia. A voz dele, com esta imensa densidade que tem a História e o sofrimento e a tortura e a luta e a nostalgia lá dentro. A letra, que desperta esta faceta de ser português a um emigrante como eu. Esta música, que não posso partilhar como ninguém aqui, e que portanto nesta noite solitária é só minha:
Já não vou a Coimbra para aí desde que tenho 12 anos ou coisa assim. Vergonha, e agora ainda mais, com tantos ex-alunos de Coimbra de quem gosto tanto.
Coimbra deve ser, sem dúvida, uma cidade muito especial. Recordar-me-ei sempre de uma noite, na festa do Avante, onde fui com um bom amigo que o rio do tempo deixou para trás numa qualquer margem. Telefona-me: queres ir ao Avante hoje à noite? Ok, embora, mas como entramos, e onde dormimos? não interessa, logo se vê, ok vamos embora" e lá fomos.
A primeira noite foi divinal, e dormimos junto ao lago, lá em baixo, debaixo de um saco de cama de alguém. Só se podia comprar à noite bilhete para o fim de semana todo, portanto ficámos também Sábado. Mas perdemo-nos na confusão, e nenhum dos dois tinha telemóvel na altura. Fiquei sozinho na festa, e não mais o vi.
Nessa noite, quando todas as barraquinhas já tinham fechado, o que acontecia relativamente cedo, chego-me à barraca de Coimbra onde ainda se cantava noite fora, numa atmosfera verdadeiramente excepcional. Ali me sentei num canto, a ouvir baladas de Coimbra umas atrás das outras, numa atmosfera de verdadeira magia.
Zeca Afonso canta essa magia. A voz dele, com esta imensa densidade que tem a História e o sofrimento e a tortura e a luta e a nostalgia lá dentro. A letra, que desperta esta faceta de ser português a um emigrante como eu. Esta música, que não posso partilhar como ninguém aqui, e que portanto nesta noite solitária é só minha:
Aprendendo...
Acredito seriamente que componente importante de uma amizade duradoura é uma certa dimensão de admiração. O reconhecer no outro a luz de farol que indica uma costa da qual nos queremos aproximar mais um pouco. Seja algo que temos e queremos preservar, seja algo que não temos e queremos almejar. Menos frequente, também se dá o terceiro caso de algo que não temos nem almejamos particularmente, mas que estimamos e admiramos no outro. Há claro, as outras amizades também, as amizades "históricas", aquelas pessoas que nos conhecem muito bem, com quem se "está mesmo bem", e que são mesmo boas de preservar. Mas os vários afastamentos (tempo, distância, trabalho, etc) tendem a carcomir estas bem mais depressa que as primeiras.
Os amigos do primeiro tipo chamam-se irmãos, o de sangue e aqueles que, não o sendo, sabem ao ler isto que o são. São pessoas que nos dão vontade de saber mais, sentir mais, de enriquecer interiormente. Que chamam a atenção para a Beleza à nossa volta.
Tenho consumido o meu I-touch incessantemente também para música mas principalmente para imensos podcasts. Além dos da Economist e tal, estou fascinado por esta coisa que é a i-Uni! Aulas gravadas, as que tenho ouvido da universidade de Berkeley, e reproduzidas como podcasts. Comecei a fazer três cursos: o de Existencialismo, o de Macroeconomia (para arrumar ideias já esquecidas) e o de História, começando no sex. XVIII (para arrumar ideias nunca tidas).
Os três professores têm em comum o serem verdadeiras personagens (aqui, de persona, a coisa da máscara e tal), cada um à sua maneira, que inundam um podcast de vida. Estas aulas são, de facto, uma das maravilhas da Web 2.0, que me fazem mesmo não compreender como é que há gente que diz que "não tem nada para fazer".
Os amigos do primeiro tipo chamam-se irmãos, o de sangue e aqueles que, não o sendo, sabem ao ler isto que o são. São pessoas que nos dão vontade de saber mais, sentir mais, de enriquecer interiormente. Que chamam a atenção para a Beleza à nossa volta.
Tenho consumido o meu I-touch incessantemente também para música mas principalmente para imensos podcasts. Além dos da Economist e tal, estou fascinado por esta coisa que é a i-Uni! Aulas gravadas, as que tenho ouvido da universidade de Berkeley, e reproduzidas como podcasts. Comecei a fazer três cursos: o de Existencialismo, o de Macroeconomia (para arrumar ideias já esquecidas) e o de História, começando no sex. XVIII (para arrumar ideias nunca tidas).
Os três professores têm em comum o serem verdadeiras personagens (aqui, de persona, a coisa da máscara e tal), cada um à sua maneira, que inundam um podcast de vida. Estas aulas são, de facto, uma das maravilhas da Web 2.0, que me fazem mesmo não compreender como é que há gente que diz que "não tem nada para fazer".
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