Sunday, 1 March 2009

Chopin-antes-de-ir-deitar..

É difícil, quase impossível, a tarefa de regressar ao piano. A frustração de um desfasamento enorme entre, por um lado, aquilo que se quer fazer soar e aquilo que se ouve e, por outro, entre o nível que se tem e aquele que já se teve torna-se demasiado cruel para suportar. E o efeito imediato é um divórcio crescente. O efeito bola-de-neve é tão inevitável quanto assassino: quanto menos se toca mais se cava esse fosso, mais frustrante é cada nova abordagem e cada nova tentativa.
A tentativa de domingo a este Improviso valia bem a pena.



Mas redundou em mais Sunday Blues.
Versão de um grande pianista, mas não no seu melhor.

Wednesday, 21 January 2009

Primos II : Amor efémero e Amor eterno

Love Will Tear Us Apart- Joy Division


When routine bites hard
And ambitions are low.
And resentment rides high
But emotions won't grow.
And we're changing our ways
Taking different roads.

Then love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.

Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed
Every feeling run so dry?
Yet there's still this appeal
that we've kept through our lives.

And love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.

Do you cry out in your sleep,
All my failings expose?
Gets a taste in my mouth
As desperation takes hold.
Why is it something so good
Just can't function no more?

And Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again...


A Flauta Mágica - W.A. Mozart

Thursday, 18 December 2008

Alegria Breve

"Talvez seja assim a velhice: um esgotamento longo de tudo. E no centro, breve, uma verdade final. Como um objecto precioso que se tira da terra e se limpa - qual a tua verdade final?"

Vergílio Ferreira, in Alegria Breve

Eis uma boa resposta:

Friday, 12 September 2008

Primos I: O desespero e a angústia existencial


O Grito, Edvard Munch (1893)



Chopin - Polonaise Op.40 No.2 em dó menor (1838).
Ao piano: Rubenstein


O Estrangeiro, Alvert Camus (1942)

Wednesday, 10 September 2008

Tempos Modernos



Há cerca de dois anos, fui passar um fim-de-semana numa quinta de turismo de habitação. Uma casa senhorial antiga, muito muito bonita. O pequeno almoço era delicioso, servido por uma senhora velhinha, de andar vagaroso e sereno como a manhã que se abria. A dona da casa, uma Senhora, confidenciou que o seu filho (que era quem efectivamente "geria" as coisas) a queria dispensar, pois ela era já muito lenta. Mas esta Senhora nem queria pensar em tal ideia. A empregada velhinha trabalhava naquela casa há muitos muitos anos, era já parte da casa, e portanto jamais seria dispensável. Jamais seria descartável. A Senhora, nobreza em pessoa.
Não acho que o filho fosse menos "humano" ou bem formado que a sua mãe. Seriam até, nesse aspecto, farinha do mesmo saco. Talvez seja mais a diferença geracional em acção.
Somos de facto produto de uma sociedade em que tudo se tornou "descartável". Começou pelas fraldas e seringas (o que é bom), mas claramente desembocou nos afectos e nas pessoas. Pessoas como meios, e não como "fins em si mesmos" como Kant nos propôs.
É uma sensação de impotência tremenda, quando presenciamos alguém tratado como mercadoria. Descartável. Porque é daquelas situações em que toda a nossa simpatia, mesmo toda a nossa simpatia, não vale rigorosamente nada.

Monday, 1 September 2008

Complexo de Peter Pan

Devo ao João Távora esta maravilhosa expressão.
Complexo de Peter Pan não é sinónimo de pateta-alegre que não sabe crescer, amadurecer e viver a idade que tem.
O complexo de Peter Pan revela-se em todos aqueles para quem conceitos como magia, deslumbramento, descoberta, novidade e sonho não são exclusivas do universo infantil, mas ensinamentos de criança que mantêm o nosso mundo tingido de cor e que devemos preservar dentro de nós.
Eu costumo personificar esta atitude no Tom Sawyer (o meu herói), que quero que habite dentro de mim. Mas complexo de Peter Pan também está muito bem!



Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer,
Junto ao rio a passear, Tom Sawyer,
Mil amigos deixarás, aqui e além..
Descobrir o mundo, viver aventuras!

Saturday, 30 August 2008

Out of Africa

Sydney Pollack (1985)
É dificil explicar este fenómeno que me prende em frente à televisão sempre que apanho este filme. Mas simplesmente adoro este filme.
Talvez parte do segredo esteja na maneira como a mais profunda das amizades se manifesta tão completamente num aperto de mão, a forma como o mais profundo sofrimento se encerra numa dança ou no gesto de apertar a terra que podem ver em baixo. É um filme arquitectado na importância de pequenos gestos, da entoação (e não só no maravilhoso sotaque de Maryl Streep, num papel inacreditável), e, obviamente, do Quinteto para Clarinete de Mozart. Acho que aprendi muito sobre a amizade, quando ouvi o Berkeley Cole dizer "I thought I didn't knew you well enough", ou mais ainda quando Karen confidencia ao Denys "I had sifilis", numa cena absolutamente incrível.
Fica a cena do enterro. "He was not mine".